quarta-feira, 18 de março de 2015

MIAMI E SEGUE MAIS BRASILEIRA DO QUE NUNCA

Entre a brisa da praia e a a abdução dos shoppings, entre o chiquetê e o cafoninha, enre o charme art déco e o exagero neon, entre o software certinho dos americanos e o calor desbragado dos latinos – lá esta a pendular MIAMI. A encantadora metrópole com transtorno d=e personalidade está trincando de novidades. Tem outlet, museu, bares, restaurantes, bairro da moda, uma penca de novos hotéis. E, estando por lá, vamos aos arredores. Do condado elegante de PALM BEACH à região sabiamente nomeada PARADISE COAST. Miami: não adianta tentar esquecer. (Por Laura Capanema)

Conhecida mundialmente como "The Magic City". E é especialmente magic para nós, brasileiros, que vamos mais para lá do que qualquer outro turista: chegamos ao escandaloso número de 755 mil visitantes no ano passado, na frente de 660 mil canadenses. É gente pra burro. E seremos mais - já crescemos 6% em relação a 2013 só nos primeiro seis meses de 2014. Em dezembro de 2014 dois novos voos foram lançados, ambos saindo de Campinas-Viracopos. A Azul escolheu o destino para dar seu primeiro salto internacional, no dia 1º de dezembro. O voo da companhia aterrissa em Fort Lauderdale. a 40 quilômetros da cidade (meia horinha sossegada de carro pela freeway). No dia 3 foi a  vez da American Airlines, que inaugura mais um voo diário direto Miami. Serão 11 empresas voando direto para Miami (ou com escalas) a partir de 12 cidades brasileiras. Nunca foi tão fácil chegar lá.

Se depender das autoridades miamísticas, o transporte local há de ser cada vez mais baba. Esta em construção um trem que ligará Miami a Orlando em três horas. A nova estação da All Alboard Florida, que tem um multimilionário sistema privado de passageiros, estima receber 5 milhões de viajantes por ano. Ela vai se conectar com o Metromover e o Metrorail, sistemas já existentes, criando um centro integrado. Cosia de quem tá mesmo empenhado em agradar um turista.


E, o que mais atrai os brasileiros são as compras - lá, ainda convidativas, com taxa de imposto sobre o produto de 7%. menos do que em Nova York (8,875%), Chicago (9,25%) e Los Angeles (9%), temos mais motivos para comemorar. Foi inaugurado o PALM BEACH OUTLETS, com 46.000 metros quadrados de lojas que asseguram descontos de até 70%. O espaçõ, no estilinho "vilarejo a céu aberto", está no coração da West Palm Beach, a uma hora de Miami. Ele fica mais longe dos consagrados Sawgrass Mills (o maior dos Estados Unidos e queridinho dos brasileiros) e Dolphin Mall, dentro de Miami. Mas é mil vezes mais vazio. E tem "as mesmas lojas de sempre", como Saks, Fifth Avenue, Adidas Banana Republic, Samsonite, Forever 21, Calvin Klein, Carter´s e PacSun, vende barnadas de marcas de surfistas como Roxy e Billabong. A dica é ir logo que as portas às 10 horas da manhã, e  seguir direto para o centro de atendimento ao cliente, na praça de alimentação coberta. Ali é só mostrar o passaporte e arrebatar o livrinho de descontos - isso mesmo, mais descontos em cima dos preços já descontados. Se a média do brasileiro é gastar US$ 285 por dia de viagem, segundo a última pesquisa do Greater Miami Convention & Visitors Bureau. Por US$ 40 você arrebata uma boneca gigante da Frozen. Mas, se você não quiser pegar estrada, tudo bem, há novidades capitalistas por lá também. O clássico Dadeland Mall, onde é possível contemplar as novas coleções das mesmas lojas do outlet e que tem a maior Macy´s da Flórida e uma concorridíssima Apple Store (a mais próxima do Aeroporto de Miami e ainda mais com o lançamento do Apple 6), acada de expandir sua área em 11.000 metros quadrados. Gahou Puma, Hugo Boss, Urban Outfitters e mais 15 marcas, incluindo um pub-restaurante, o Earls Kitchen + Bar. E agora tem a mais nova IKEA, a maior loja na Flórida da rede sueca de artigos de decoração e design que conquistou o mundo. Se os preços já são bem interessantes na Europa, imagina em Miami.

No campo da gastronomia, a lista de novidades também é farta. O recente lançamento foi o japonês-contemporâneo Morimoto, do chef-celebridade Masaharu Morimoto, que tem 12 casas pelo mundo, e adaptou o cardápio originalmente nova-iorquino com experimentalmente nova-iorquino com "experimentações leves, picantes, tropicais, como Miami". Aliás, a cidade tá na onda de abrir filiais de hits de Manhattan - em julho foi o italiano II Mulino, do chef Michele Mazza. Outras três boas novas: o Bistrô BE, de comida belga, com belas reivenções do que a Bélgica faz de melhor, como waffles e cervejas (são 70 opções só de loiras geladas) o bar de ostras Mignonette, minimalista e agradável, que serve porções para três por US$ 32; e o ARTcade, uma casa vintage com máquinas de fliperama que nos convidam a joga Pac Man.

Talvez Miami seja tão magic justamente por misturar atemporalidade - calor, umidade, carrões extravagantes, predinhos art déco, modeletes de salto alto, letreiros neom e todos os clichês facilmente reconhecíveis em um passeio por South Beach - com sede de se reinventar. Há uma comunidade criativa batendo o pé, ali, e ousados investimentos arquitetônicos continuam saindo do forno, com Pérez Art Museum (PAMM), que no verdíssimo Museum Park, o qual em breve vai inaugurar também um museu de ciências, com 3.000 metros quadrados. O PAMM, aberto em dezembro de 2013, é a amostra perfeita da união entre arquitetura inventiva e arte contemporânea. O prédio com vãos de madeira e paredes de vidro, desenhado pelo escritório Herzog & De Meuron, que projetou o Ninho dos Pássaros de Pequim, é de encher os olhos, na boca da Baía de Biscayne. A sensação é a de que a água vai invadira qualquer hora aquelas telas coloridas. Coloridíssimas por sinal - tive o deleite de contemplar a exposição Jardim Botânico, de Beatriz Milhazes, hoje a brasileira que mais vale no mundo das artes.

Tanta abundância visual é um desdobramento orgânico da Art Basel, artéria da feira de arte homônima, na Suíça. que carrega a resposta de ser a mais importante do mundo. De fato, há 12 anos o evento colocou Miami Beach no mapa das celebridades e dos leilões internacionais. Desde então, novas galerias, mostras, instalações itinerantes e festas ao ar livre pipocam pela cidade, não só no mês de dezembro, quando a feira acontece, mas o ano inteiro. Aquela vibe cafona muito reproduzida nas conversas de viajantes cults tem mudado de ares. Miami está cool.

É impossível falar de arte sem citar Wynwood, bairro no norte da cidade que é a versão daquilo que é tendência mundial: toda grande metrópole agora tem seu distrito descolado, a maioria com um grafite ali, uma galeria acolá - como o Williamsburg no Brooklyn de Nova York, o Belleville de Paris, o Pigneto de Roma, a Vila Madalena de São Paulo. E Wynwood é gente grande de verdade: já tem mais de 70 galerias de arte. Os brasileiros Osgêmeos, Nina Pandolfo, Nunca e Kobra tem murais ali. Kobra, aliás, pintou a fachada do novo restaurante R House, descoladíssimo e lotado, inclusive por famílias e pessoas acima dos 50. "Wynwood ainda tem alguns prédios abandonados, mas pode ter certeza e que todos já tem dono", disse a carioca Nara Azevedo, que idolatra o bairro e vive há oito anos na cidade. O lugar está tão na moda que é impossível andar por lá sem ver modelos e fotógrafos aproveitando aquelas paredes coloridas para fazer sessões publicitárias. Dentro desse software novidadeiro, o café italiano Joey´s e os restaurantes modernistas Shikany e Wynwood Kitcjen & Bar são lugares bons pra ir.

E sempre teremos South Beach, onde a maioria dos hotéis tem história para contar. A arquitetura dos anos 1920 e 1930 é uma compilação de edifícios geométricos em tons pastel e encanta por ser tão conservada. É impressionante a conservação. Esses predinhos acabaram virando ícones de uma cidade sem cartão-postal. Em Miami não há uma Fontana di Trevi, uma Golden Gate...Lá a atração é contemplar fachadas. Ou caminhar a beira-bar, para um drinque no News Café, dar um rolê de bike (a DecoBike, o sistema público local, tem 100 estações. Uma hora custa US$ 6; um dia, US$ 24). A Miami de hoje tem muito mais a ver com a exaltação da boa vida do que com a figura de sacoleiros enloquecidos batendo pernas nos outlets. Quem não quiser calçar sapatos Louboutin pode descer do salto e passear de Havaianas, sem mexer muito na conta bancária. No fim das contas, aliás, Miami tem tudo para todo mundo. Talvez seja por isso que tanta gente, de todas as idades, gêneros, transgêneros e classes sociais, continua indo pra lá, ano após ano. Que ela continue assim, sobrevivendo no plural, nos embalos de sábado a noite, de seus domingos de manhã, de sua notável contemporaneidade.






terça-feira, 17 de março de 2015

FRANCIACORTA

Franciacorta
Cochile meio minuto num mundo Mad Max e acorde com um cenário de Noviça Rebelde. Partindo de Milão a caminho de Veneza, a Autopista A-4 corta uma das regiões mais industrializadas da Itália. Galpões e chaminés dominam o panorama por cerca de 50 minutos até que, vupt, eis que um platô com vista para o Lago d´Iseo se materializa na janela do carro, forrado de cachos chardonay, pinot noire e pinot blanc, tendo os Alpes como pano de fundo. Menos famoso que os lagos vizinhos de Garda e Como, o D´Iseo é uma baita surpresa a meros 20 minutos do aeroporto de Bergamo (o secundário de Milão, que recebe vôos de companhias aérea low cost de toda a Europa).

Em forma de S, com 65 quilômetros quadrados de área, o Lago d´Iseo abriga a maior ilha dentro de um lago de toda Europa, a Monte Isola, que tem um vilarejo fofíssimo. Dá para visitá-lo de ferry ou até mesmo ficar hospedado por lá. A paisagem per se já encarregaria de fazer sua viagem valer. Mas ela acaba sendo mera coadjuvante diante do fato de que a região produz os melhores vinhos espumantes da Itália, com o selo da DOCG (Denominação de Origem Controlada Garantida) Franciocorta.

Se você vive feliz com seu prosecco, esta na hora de pensar mais alto. Franciocorta, localizada na província de Brescia, na Lombardia, é a única região europeia, além da própria Champanhe e da Catalunha (que produz o Cava), na Espanha, a utilizar o minucioso método clássico. Do ponto de vista técnico, além da fermentação em tanques de inox (ou, em alguns casos, em barril), o vinho passa por uma segunda e complexa fermentação em garrafa, seguida de um envelhecimento de pelo menos 18 meses. O resultado é uma bebida elegante, de bolhas finas e acidez suave: uma resposta italiana à altura da gloriosa bebida francesa, inclusive em termos de preço (uma garrafa não costuma sair por menos de 30 euros nas loja das vinícolas).

Os vinhedos formam uma espécie de anfiteatro ao redor da parte sul do Lago d´Iseo, como um pequeno oásis verde em meio à área mais densamente industrializada do país. Essa combinação de vinho - com calor durante o dia e frio à noite -, além de uma paisagem de aplaudir de pé. O ponto mais estratégico de toda a região para curtir o visual é sob o arco que emoldura a paisagem na Bellavista (www.bellavistawine.it) , uma das 108 vinícolas do pequeno reino de Franciocorta. Se tiver que escolher apenas uma pra visitar, eis a grande aposta.

Entre tantas rolhas e bolhas, é uma baita ironia que um dos spas de detox mais célebres da Itália, o Henri Chenot (www.chenot.com), esteja instalado justamente num hotel em Franciacorta. Mas, a julgar pela quantidade de gente (a maioria russos), que circulam de roupões brancos no outono, ambas as realidades - detox e intox - convivem em paz no resort L´Albereta (www.albereta.it), que tem o aval da rede Relais & Châteaux e está cercado pelos vinhedos da vinícola Bellavista.

CINQUE TERRE

CirqueTerre
São 18 quilômetros da costa rochosa espremidos entre mar e terra, em um cenário sem par na Itália - ou fora dali. Cinque Terre, um conjunto de cinco pequenas cidades no norte da península, ao sul da portuária Gênova, viu seu destino mudar radicalmente nos últimos anos, com a descoberta do lugarejo por estrangeiros embevecidos. Se os italianos já conheciam a sua "Riviera", os viajantes impuseram uma nova rotina às terre a partir dos anos 1960: as vilas de pescadores e agricultores ganharam hotéis, restaurantes e lojinhas  turísticas para receber os visitantes.

Alcançáveis apenas a pé ou pelo mar por cerca de dez séculos, as cidadezinhas Riomaggiore, Manarola, Corniglia, Vernazza e Monterosso al Mare começaram a se desenvolver no fim do século 19, com a chegada de uma ferrovia à região. Os anos de isolamento contribuiram para que esse "piccolo paradiso" se mantivesse conservado, com casas construídas montanha acima e campos cultivados em íngremes penhascos, um tipo de cultura que existe já pelo menos 2 mil anos. A região produz, desde a época do Império Romano, uvas, azeitonas - seu tradicional vinho de sobremesa, o sciachetrà, é raro e muito apreciado na Itália. Para subir e descer a colina-lavoura, foi preciso apelar para uma engenhoca que entrou para o rol dos encantos locais: os agricultores usam o "trenino", um carrinho que anda sobre um trilho e é muito parecido com uma montanha-russa especialmente porque, em alguns trechos, enfrenta uma descida vertiginosa. A colheita, claro, segue totalmente manual.

O cenário geral na região é pitoresco e pouco mudou desde a Idade Média. O que se vê por ali é uma paisagem de cinema, feita de construções modestas e coloridas que se apinham ribanceira acima. Em conjunto, as terre formam um dos cantos mais bonitos do planeta. Isoladamente, cada um possui uma característica marcada, fácil de identificar. Riomaggiore tem um porto pequeno e muito simpático. É dali que são feitas as fotos cartão-postal da cidade. De todas as cidadezinhas, é a mais viva à noite: tem cafés, bares e restaurantes legais para um aperitivo. Vá subindo até achar a Igreja de São João Batista, do século 12, que por causa da fachada cinza, destoa do resto das construções.

Manarola, a segunda terre, é bem pequena, e a que produz uvas entre as cinco, O punta Buonfiglio, mirante local, é onde todo mundo dá uma parada pra fazer fotos clássicas da cidade. Se puder, vá também à noite. Manarola, toda iluminada, tem um charme sem fim. Se quiser economizar na hospedagem, a vila tem o hostel mais em conta das terre, o Ostello 5 Terre, que recebe muitos jovens norte-europeus. As diárias partem de 25 euros na alta temporada em quarto para seis pessoas.

A menor das terre fica bem no meio do caminho. A 100 metros do nível do mar, o acesso a Corniglia é mais difícil. Os barcos, por exemlo, não param ali, já que a cidade não tem um acesso marítimo. Por isso, é a menos visitadas das cincos. É a única, no entanto, de onde se pode ver ao longe as outras quatro. Para chegar a Corniglia da estação de trem é preciso subir uma escadaria íngrime de 377 degraus. A vista é bonita, mas cansa (você foi avisado). Um micro-ônibus leva os menos dispostos até a vila.

A terre seguinte é talvez a mais amada pelos viajantes. O pior de Vernazza, encantador do mar, adorável da terra, é a paisagem mais icônica de Cinque Terre. Ali, você vai ver muitos locais dando mergulhos no verão (os italianos só entram no mar quando está realmente muito calor, nem pensam em se arriscar em águas frias, e a costa lígure não é exatamente conhecida por ter águas quentes). Restaurantes turistas movimentam o portinho, cercado pelos prédios mais vivamente coloridos de Cinque Terre. As ruas estreitas e típicas, muitas em "forma de escada", são uma atração à parte. Suba na torre do Castelo Doria, ruína de uma fortificação que data do século 11 e admire uma das vistas mais impressionantes da região.

A última das terre é a mais antiga. Monterosso foi fundada no século 7, embora não haja registro de documentação histórica até o ano de 1056. É a única com uma praia de areia extensa - que fica lotada no verão - e é a maior das vilas. Na localidade superturística de Fegina fica a maior parte dos restaurantes e lojas e a Villa Montale, onde o poeta genovês Eugenio Montale (1896-1981), ganhador do Prêmio Nobel de Literatura, passou parte da infância. Entre o bairro e o centro antigo fica o Convento dei Cappuccini, ponto histórico mais interessante da vila. Das cinco cidades, Monterosso é que tem a maior e melhor oferta de hotéis.

Vale ir num bate e volta?

No verão, a paisagem de Cinque Terre sofre a mutação típica dos paraísos de alta temporada - e recebe uma multidão. Com pouca vocação turística, a cidade portuária vizinha La Spezia ganhou fama graças à beleza das cinco cidadezinhas. Maior, com boa infraestrutura e longe da muvuca, virou base para hospedagem de muitos turistas. Se você for para a região de trem a partir da Toscana, por exemplo, terá de parar na cidade para chegar às terre.

E, principalmente na alta temporada, aparece a dúvida: vale encaixar Cinque Terre em um bate e volta? Depende. Só vale mesmo se você já estiver de passagem pela região, no caminho entre uma cidade e outra. Se estiver em Gênova, por exemplo, ir e voltar no mesmo dia pode ser uma boa idéia, já que os trens regionais levam pouco mais de uma hora entre a cidade e Monterosso, a terre mais próxima. O mesmo vale para Lucca ou Viareggio na Toscana. De trem, chega-se a La Spezia em cerca de uma hora. A partir de destinões como Florença ou Siena já não compensa: são mais de duas horas e meia até a região. Aí é melhor deixar pra próxima - e torcer pra próxima chegar mais rápido possível.


GOLFO DE NÁPOLES

Golfo de Nápoles
A algumas das joias da costa italiana ficam bem perto das ruínas de Pompeia, cidade romana reduzida a cinzas pelo Vesúvio há quase 2 mil anos. Fosse hoje, Nápoles, grande e metropolitana com seus quase 1 milhão de habitantes à sombra do vulcão, seria palco de uma tragédia maior - e nunca se sabe o  que pode acontecer. Se a ameça não larga a capital Campânia, essas preocupações atingem as ilhas e seu redor: Capri, Ischia e Procida.

Foi o imperador romano Augusto quem descobriu os encantos de Capri, hoje a mais agitada das três. Voltando de uma expedição ao Oriente em 29 a.C., o então todo poderoso de Roma, topou com a ilha, uma massa gigantesca de rocha calcária erguendo-se  no marzão verde-esmeralda do Golfo de Nápoles. Mas foi seu sucessor, Tibério, quem se encantou de vez com o lugar, em que mandou construir 12 vilas (como temia se assassinado, mudava sempre de casarão para despistar os inimigos). As ruínas da Villa Jovis, a maior das mansões imperiais , podem ser visitadas, entre várias construções que os romanos deixaram por lá. Elas dividem as atenções com pracinhas e vielas charmosas, casinhas caiadas mediterrâneas, praias e paisagens marinhas incomparáveis.

Dá para fazer um bate e volta à "isola bella" a partir de Nápoles se o preço dos hotéis capreses salgar o bolso. No barco mais rápido, o percurso leva 45 minutos, a 19 euros a passagem. Fique atento se estiver rodando pela Itália de carro alugado: eles são vetados na ilha de março a novembro. No verão, convém comprar o bilhete do barco com antecedência.

Na Marina Grande, onde aportam as ferries, a missão é rumar para comuna. Sem carro, a opção mais confortável e econômica é subir (subir mesmo, pois o centrinho fica muitos metros acima do nível do mar) de funicular. 

Pizzaetta é a referência para seguir a trilha do peculiar La Cisterna, Mezzo Pizzaria, Mezzo Restaurante, cujo dono, Salvatore Trama, é conhecido personagem na ilha. Suba a escada que fica à direita da praça, vire à direita e siga as placas de indicação. Não estranhe o ziguezague, tipicamente caprese, para chegar ao estabelecimento, que serve tomates cultivados na casa de Salvatore.

As uvas para o vinho da casa também saem de lá. As garrafas de bebidas vêm adornadas com uma foto do corpulento senhor. Trama de sunga (!), admirando o Mediterrâneo. Uma versão pôster da imagem caidona decora uma das paredes da casa. No Las Cisterna uma refeição, para dois, sai por cerca de 80 euros, preço dos mais amigáveis para Capri.

É bem verdade que a ilha, destino de verão do jet set internacional (Ja-Z, Beyoncé, Messi príncipes de Mônaco...), são de lanchas, iates e lojas de grifes internacionais. Mas Capri recebe bem os turistas menos endinheirados. Então mulheres, relaxem, ninguém vai olhar feio se sua bolsa não tiver brasão conhecido. Dá, inclusive, para economizar no passeio imperdível de Capri, a Grotta Azzurra. Entrar naquela espécie de planetário rochoso, atravessando sua estreita abertura, é um ritual para quem vai a Capri: os locais dizem que o espetáculo das luzes é ainda intenso entre meio-dia e as 2 da tarde, horário em que o reflexo na água transforma o ambiente numa imensa caverna perfeitamente azulada.

No horizonte se vê também Ischia, a maior ilha daquela região. Ali conserva muitas comunidades de pescadores, o clima é de Itália rural, bem mais tranquilo e com muito menos ostentação. Apesar de ser um destino de praia no verão, Ischia é mais famosa por suas águas termais, conhecidas já pelos romanos. 

Tanto Ischia quanto a ilha vizinha, Procida, serviram de cenário para o filme O Talentoso Ripley. Na ilha grande Dickie e Marge, vividos por Jude Law e Gwyneth Paltrow, encontram o malandro Tom, papel de Matt Damon. 

Procida é a porção de terra ao mar do Golfo de Nápoles mais próxima do continente, e tem ainda hoje um requício muito presente do período das invasões bárbaras, a Terra Murata. Construído a 90 metro de altura, o forte, que protegeu o interior da ilha desde a Idade Média até o início do século 15, resiste ao tempo. No Centro, ficou preservada a estética medieval, com casas caracteristicamente populares e ruas estreitas.

É um forninho também: as paredes gigantes não permitem a livre circulação de ar, tornando os quentes verões ainda mais ferventes. Do lado de fora do panelão, a cidade é mais fresca - e diferente. Lá fica a charmosa Marina Corricella, um pedaço modesto de orla ladeado por coloridas casas de pescadores, distantes 15 minutos a pé da Terra Muratta. Vários bares e restaurantes ficam por ali. Um deles é La Locanda del Postino, que também tem um currículo cinematográfico. Era lá que trabalhava Beatrice, por quem o carteiro Mario , amigo do poeta Pablo Neruda, se apaixona no filme o Carteiro e o Poeta.

HOJE É DIA DE ITÁLIA

Costa Amalfitna
O século 9 marca o início dos "séculos azuis" na Itália. Em plena Idade Média, cidades costeiras começaram a se desenvolver graças ao comércio marítimo. A prosperidade econômica trouxe independência política, e as chamada Repúblicas Marítimas, termo cunhado no século 19 para denominar as cidades Amalfi, Pisa, Genôva e Veneza, mantiveram forte intercâmbio com a países não europeus enquanto os outros Estados do continente ainda permaneciam em suas próprias fronteiras. A autonomia das repúblicas durou até o século 18, quando duas das últimas cidades livres sucumbiram a Estados mais fortes.

A primeira a tornar-se independente (e a primeira a cair, três séculos mais tarde) foi Amalfi, no ano 839, que em seu auge, tinha 70 mil habitantes, número extraordinário e meio inacreditável ara quem visita a diminuta cidade hoje (segundo o último censo italiano, de 2010, menos de 6 mil pessoa vivem na comuna). Há pouco para se ver daquela época por lá: um terremoto varreu para o mar construções e moradores encontram pedaços da cidade antiga no mar, e os pesquisadores das universidades de Salerno e Nápoles acreditam que um verdadeiro tesouro arqueológico ainda se esconde sob as águas.

Para os turistas, se existe algum tesouro, ele já foi descoberto há tempos, encravado nas montanhas e debruçado sobre costões ao longo de 34 sinuosos quilômetros de estrada que separam três joias da região: Ravello, Amalfi e Positano.

A Amalfi superturística de hoje nasceu no início do século 20, após centenas de anos de pobreza, deslizamentos de terra e invasões de povos estrangeiros. Os neodesbravadores se encantaram com seu isolamento e beleza no local, que se desenvolve há mais de 50 anos. Hoje, quem visita Amalfi e toda costa batizada com seu nome encontra luxo, romance e badalação.

A cidade vizinha de Ravello, é a gavorita para um bate e volta a partir de Amalfi. E o local abriga um festival de música em homenagem a Richard Wagner, local que inspirou o alemão a compor um dos cenários de sua ópera Parsifal. Este ano de 2015, em sua 62ª edição, acontece entre 21 de março e 4 de maio. Em um auditório projetado por Oscar Niemeyer.


BENVENUTO
Uma das inocências mais deliciosas dos turistas é topar com algum lugar absurdamente maravilhoso e pensar: Ah, ninguém pode ser infeliz aqui. Na Itália por exemplo. Se houver algum desventurado por ali, dever um infeliz mais feliz. A gente até soube da máfia, das festas bunga-bunga, do fascismo, de terremotos medonhos, do vade a bordo, cazzo. Mas, na nossa cabeça viajante embasbacado, é duro imaginar alguém sofrendo diante de vinhos sensacionais servidos em jarras por uma matrona, recusando peixes fresquinhos vindos do mar azul-total ali do quintal, arrastando mágoas por vilas charmosas com casinhas coloridas. Se viajar é tirar folga da vida da gente para se admirar com a dos outros, ir pra Itália é entrar em um deslumbrante sem noção. E aquelas cores? E aquela comida? E aquelas obras de arte? E aquele jeito das pessoas de se expressar, todo pra fora? E por que Julia Roberts não ficou só por lá, naquele filme Comer, Rezar e Amar? Não vale a pena levar a vida sem, uma vez que seja, virar turista com cara de bobão de roteiros mostrados na Viagem e Turismo. É um azul lindo da Costa Amalfitana, é um chamar de lascar no Golfo de Nápoles, é uma beleza inacreditável em Cinque Terre, é muita vinícola em Franciacorta.
Agora nos diga? existe ou não existe o tal paraíso?
(Por Angélica Santa Cruz - VT)

segunda-feira, 16 de março de 2015




ASTROTURISMO
Desertos chilenos com céu abençoado por Deus - e certificado dado pela Unesco aos melhores lugares para observar estrelas.
Olhos treinados, os astrônomos vão até lá e identificam a Via Láctea, satélites de Júpiter e Nuvens de Magalhães. Olhos encantados, os turistas vão e veem...estrelas.
O parque arqueológico Chug Chug, a área de Antofogasta, onde fica a escultura Mano del Desierto, e o Alto Loa, em Calama, são três recantos do Chile que, há dois meses, faturaram o certificado Starlight, da Unesco, dado aos melhores destinos do mundo para ver o céu que nos protege.