BENVENUTO
Uma das inocências mais deliciosas dos turistas é topar com algum lugar absurdamente maravilhoso e pensar: Ah, ninguém pode ser infeliz aqui. Na Itália por exemplo. Se houver algum desventurado por ali, dever um infeliz mais feliz. A gente até soube da máfia, das festas bunga-bunga, do fascismo, de terremotos medonhos, do vade a bordo, cazzo. Mas, na nossa cabeça viajante embasbacado, é duro imaginar alguém sofrendo diante de vinhos sensacionais servidos em jarras por uma matrona, recusando peixes fresquinhos vindos do mar azul-total ali do quintal, arrastando mágoas por vilas charmosas com casinhas coloridas. Se viajar é tirar folga da vida da gente para se admirar com a dos outros, ir pra Itália é entrar em um deslumbrante sem noção. E aquelas cores? E aquela comida? E aquelas obras de arte? E aquele jeito das pessoas de se expressar, todo pra fora? E por que Julia Roberts não ficou só por lá, naquele filme Comer, Rezar e Amar? Não vale a pena levar a vida sem, uma vez que seja, virar turista com cara de bobão de roteiros mostrados na Viagem e Turismo. É um azul lindo da Costa Amalfitana, é um chamar de lascar no Golfo de Nápoles, é uma beleza inacreditável em Cinque Terre, é muita vinícola em Franciacorta.Agora nos diga? existe ou não existe o tal paraíso?
(Por Angélica Santa Cruz - VT)

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